quarta-feira, 7 de maio de 2014

Um diálogo construtivo em que foi possível precisar questões importantes. Assim Dom Silvano Maria Tomasi, Observador Permanente da Santa Sé junto ao Escritório da ONU em Genebra, definiu o seu pronunciamento na tarde desta terça-feira, 6, no âmbito do 52º Comitê das Nações Unidas sobre a Convenção contra a Tortura (CAT), em andamento em Genebra. Dom Tomasi respondeu a diversos questionamentos, após o seu discurso de ontem, em que havia reiterado o compromisso da Santa Sé no combate à tortura e na defesa do direito inviolável da pessoa humana, além de ter esclarecido alguns pontos em termos de jurisdição. A Rádio Vaticano conversou com Dom Tomasi sobre os pontos centrais das interrogações levantadas:

Dom Tomasi: “Eu diria que o ponto mais importante para fazer entrar na convicção dos especialistas é de que a Igreja – de um lado a Santa Sé, no seu campo, e as Conferência Episcopais e a Igreja em geral -, há 10 anos estão no fronte para combater todo tipo de abuso sexual contra menores, para prevenir este crime, para ajudar as vítimas e para punir também quem é culpado. Portanto, não queremos que permaneça fossilizada a percepção de que a Igreja não tenha feito o bastante ou que a Igreja tenha procurado evitar ou que esteja ainda evitando enfrentar este problema. Por isto foi necessário levar também dados precisos que mostram também como a atividade, por exemplo, da Congregação para a Doutrina da Fé, que desde 2004 até o final de 2013, ‘laicizou’ 848 sacerdotes, os reduziu ao estado laical, e quanto seja séria a vontade de se colocar fim a este crime e de prevenir, de se fazer o possível para preveni-lo”.

RV: Se falava de interpretação da Convenção sobre a Tortura e se falou de abusos sexuais. Não existe o risco de banalizar – digamos assim – duas temáticas importantes, colocando-as juntas?

Dom Tomasi: “Ah, com toda a boa vontade de querer focalizar a discussão no aspecto jurídico da Convenção contra a Tortura, a sua aplicabilidade no território do Estado da Cidade do Vaticano e de distinguir as responsabilidades jurídicas destas pastorais, a espera, a expectativa e o modo de tratar a questão por parte dos especialistas, foi inevitavelmente o do plano da pedofilia. Portanto, estava previsto, de qualquer maneira, que este tema – que está ligado à interpretação da tortura e do tratamento desumano, que faz parte da Convenção contra a Tortura - entrasse no debate”.

RV: Mas existe o risco de uma interpretação não precisa, ou de qualquer modo um pouco desviante da Convenção sobre a Tortura?

Dom Tomasi: “O perigo certamente existe. Isto é, não todas as atividades de abuso sexual são “tortura”, porém existe a Convenção, no artigo 16, que diz claramente que o tratamento desumano e humilhante faz parte desta Convenção. É, portanto, legítimo, por um lado, que os especialistas tocassem neste tema, e por outro, é necessário insistir no fato de que se deva permanecer dentro da interpretação do texto segundo a Convenção de Viena sobre Tratados, e isto é, de não acrescentra novos crimes que estejam elencados na própria Convenção e de fazer em modo que a clareza de distinção entre a Convenção dos direitos da criança, por exemplo, e esta, permaneça em pé. De resto, todos os clérigos são considerados como responsáveis, ligados à jurisdição da Santa Sé, mesmo se esta ‘influenza’ da Santa Sé sobre o clero em países como os Estados Unidos ou Itália, ou Irlanda não seja legal, porque somente o Estado em que estes vivem pode perseguir e levar ao Tribunal os culpados por crimes contra menores; não obstante tudo isto, eu penso que se deva aceitar um pouco a questão como foi colocada”.

Fonte: Rádio Vaticana
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